sexta-feira, 6 de junho de 2008

De Oscar Wilde, “DE PROFUNDIS”

“É preciso que eu faça com que tudo aquilo que me aconteceu tenha acontecido para o meu próprio bem. Não há um só ato que avilte o corpo que eu não deva transformar numa forma de espiritualização da alma...E se a vida é para mim um problema-como certamente acontece-eu também não deixo de ser um problema para ela. Minha única preocupação é minha atitude mental diante da vida como um todo.
É preciso que eu aprenda a ser feliz. Antigamente eu sabia, ou pensava sabe-lo, por instinto. Antigamente era sempre primavera no meu coração. Meu temperamento era sempre sinônimo de alegria, eu enchia a minha vida de prazer até a borda, como quem enche o seu copo de vinho até a borda.
Desejo viver para poder explorar o que é para mim nada menos do que um mundo novo. Quer saber qual é esse novo mundo? Creio que é capaz de adivinhá-lo: é aquele em que tenho vivido o sofrimento, e tudo aquilo que ele pode ensinar, é o meu mundo novo. Depois de terríveis lutas e dificuldades, consegui, durante estes últimos anos, entender algumas das lições que se escondem no âmago da dor.
Pois o segredo da vida é o sofrimento. É ele que se oculta atrás de todas as coisas..."

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