sexta-feira, 20 de junho de 2008

Poemas de Um Amigo

Ao que, ele se revela um grande poeta: Luiz Godard.



Se ela vier por aqui

Se ela vier por aqui,
Diga-lhe que estou bem.
Apesar de nessa cidade vazia
Nao conhecer quase ninguem.
Apesar das noites interminaveis,
Das sombras nas paredes sujas.
Diga-lhe que estou bem
Mesmo camuflado nas ruas.
Se ela vier por aqui,
Diga-lhe que estou sorrindo.
Apesar dos olhos molhados
afirmarem que estou mentindo.
Apesar de tantas noites vazias,
Perto de tantos estranhos.
Diga-lhe que estou bem
Mesmo sem seus olhos castanhos.
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Clara

Clareou o dia, Clara.
Com sua face nua.
Clarearam os olhos, Clara,
com sua vista crua.
Clarearam as aguas claras
e mais claras ficaram ...
e algo mais caras
claro, também se tornaram.

E mais caras surgiram
Nas noites já claras.
Porém Clara, claro, eles nao a conhececiam.
Moeda velha de duas caras.
Quando na confusao, Clara,
a noite ficou um tanto escura.
E já nâo se enxergava a cara,
que de tâo cara já nos parecia dura
E entao claro,
clareou a noite e fez-se dia,
e já nao eram caras nem carros,
era Clara, que clareando, para casa se ia.
(Sou tua fã, baby...)
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Às flores que nao brotaram
Com as mãos no bolso,
com os pés descalços,
tanto gritei que mal ouço,
o ruido dos teus passos.
A desilusão como troféu...
O vazio da misercórdia...
O gosto amargo do mel...
Os pensamentos em custódia.
Com a mente distante
e as pernas cansadas.
Pregado no instante
com as verdades cruzadas
maldigo o teu nome,
grito ódio ao vazio.
O vazio de quem tem fome
ao leito de um seco rio.

Às flores que não brotaram
adeus... ao dia tão frio.
Aos que do inferno não me salvaram,
os digo : eu prefiro esse vazio!
Com as mãos no bolso,
e o coração aberto.
Um passo lento, pereçoso,
num longo caminho incerto.

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