sexta-feira, 18 de julho de 2008

A Fábula de Dorinha

Dorinha estava cansada de ser fada. Cansada daquela rotina, de ter que acordar no meio da madrugada, atravessar florestas imensas para ir ajudar pessoas que no fim das contas eram ingratas e mal agradecidas. Está certo que era esse seu destino, ajudar a todos, ser vista como a “boazinha”, a “que opera milagres”, “um ser iluminado de outro mundo”. Mas chega! Queria muito mais do que uma boa reputação, do que ser: “boazinha”. “Boazinha”, “boazinha” o caralho! Daqui pra frente não atenderia mais pedidos que chegassem depois da meia-noite, e nada de ir voando, abdicava de suas asas, coisa mais careta. Ia no seu possante novo, vermelho fogo, e também mudou seus cabelos loiros e sua face rosadinha transbordando paz.
Pintou o cabelo de violeta, pos um piercing no nariz e um vestidinho mais ousado. Chega de coisas cafonas e quadradas. Os tempos eram outros, e agora só ouvia Gnomes Rock, tocavam sempre no barzinho de garagem escondido em baixo de um super pé de cogumelo.
Dorinha foi incompreendida, foi julgada, castigada, repreendida e por último depuseram-na do cargo de fada. A gota d’água foi quando numa de suas atrapalhadas deu um par de sapatos de cristal um número maior do que a moça que estava ajudando usava, uma tal de Cinderela. Parece que depois ela andou perdendo o sapato no caminho, e o príncipe que havia dançando no baile real com ela, a procurou pelo sapato perdido. Aquela cujos sapatos caíssem com perfeição em seus pés, era a mulher da vida dele, aquela com quem dançou no baile, se casaria com ela. Acontece que sendo os sapatos um número maior, quando chegou a vez de Cinderela, o pezinho dela ficou boiando nos sapatos, já os de sua irmã postiça (uma das filhas de sua madrasta) ficou perfeito! Não deu outra, o príncipe bonachão se casou com a mulher errada e Cinderela foi infeliz para sempre.
E Dorinha? Dorinha perdeu o cargo de fada. Mas até que era bom não ter nada para fazer, passava o dia todo ouvindo Gnomes Rock, agora eles já tinham lançado um cd, sucesso em todo Reino. As letras eram boas, apoiavam a libertação de todos os seres mágicos, afinal eles tinham o direito de ser o que quisessem e se não quisessem seguir a natureza que supostamente lhes criou, não era preciso. E foi isso que Dorinha fez, se livrou do estereotipo de fada. Ainda não sabia muito bem o que seria dali para frente, mas era livre.
O Reino já não andava tão calmo e próspero, milagres e mágicas não interferiam mais com tanta freqüência a vida das pessoas, decepções e problemas se alastraram. Dorinha se sensibilizou com a situação, mas em compensação as pessoas deviam aprender a lidar com seus problemas sem a interferência de seres mágicos.
E assim os anos foram passando, cada vez mais e mais fadas, duentes e gnomos foram abdicando de seus cargos. Até que desapareceram quase todos e os que sobraram tomaram feições humanas, tornando impossível identifica-los, fazendo-se até duvidar de sua existência.
Vezenquando alguém diz que viu um. Mas normalmente não é levado em conta, diz-se que é “conto da carochinha”, mentira em outras palavras.
Dorinha e Gnomes Rock se transformaram num símbolo vanguardista para alguns e para outros, foram a desgraça do Reino inteiro.

Um comentário:

Raquel disse...

mas bahhhhhhhhh Catti tu eh genio, muuuitxooo loco, nao vai dizer q foi chá de cogumelo einh???
baiiin adorei, viajada como nossas conversas!