quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pensamentos Áridos

Grita, expulsa teus demônios.
Arranha a carne crua e má que te oprime, esquece o gosto insosso do teu sangue seco que se criou nas feridas.
Grita, como se já não houvesse outra saída além de gritar, como se estourando os tímpanos alheios os problemas sumissem.
É preciso beijar a terra, esfregar esse pedaço do universo na tua pele, fundir-se ao pó, ao barro que te originou.
Já não importa se o branco dos teus olhos ficarem vermelhos, se a raiva se sobrepuser à razão, és um animal sem tempo para sutilezas. Foi ferido onde dói, mais: arrancaram de ti tuas certezas, arrancaram de ti a muralha de cinismo com que te defendia.
Grita! Grita! Já não a mais porque suportar em silêncio, se o vermelho dos olhos dizem tudo.
Expulsa esses demônios, expulsa e depois aprecie tua alma leve. Na paz exarcebada que se apodera do teu espírito conflituoso. Um espírito pronto pra ser livre, um animal ferido.
Grita, junte-se ao chão fértil que te deu a vida, fure os tímpanos alheios. O vermelho dos olhos já dizem tudo.

Um comentário:

bruno nobru disse...

acorda pra cuspir o teu catarro
não o do outro
nem teu catarro antigo

encha-te de catarro novo
inspira-te ao máximo que puder

e cuspa
com toda força e vontade