segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Nota de Rodapé

Vi hoje um assassino frio e calculista e me pareceu comum, como qualquer outro cidadão.
Certo que seu passado já era um tanto truculento, mas nessa madrugada havia alcançado o ápice, matou a golpes de cavadeira (instrumento usado na plantação de pinheiros) seu colega de trabalho. Aguardou que este alcançasse o sono profundo e o atingiu sem o direito de defender-se. O terceiro colega de trabalho, que também seria morto, fugiu.
Admito que já vi pessoas absolutamente “corretas” e dignas que me causaram menos empatia que um assassino frio e calculista.
Afinal, ninguém está livre de perder o juízo. Não falo necessariamente de homicídios, mas de pequenos atos, em que matamos pouco a pouco a alma de quem nos cerca e também a nossa.
Agora penso que é terrivelmente difícil manter-se com postura elegante o tempo inteiro. Chega uma hora, mais cedo ou mais tarde, em que você aguarda frio e calculista, a hora do descuido, o piscar de olhos, e enlouquece. Depois você se recompõe, e se parece com qualquer outro.

2 comentários:

luiz bucolico disse...

"ha um assasino dentro de mim, q me mata toda manha... mas o cotidiano sempre esconde o corpo."

Catherine Castanho disse...

Perfeito, Luiz..

=)