quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Respirar

Não se respira com facilidade. O ar sufoca, ameniza no peito um desenlace qualquer, incendeia esquecimentos, repreende a idéia, suja o ambiente. Não se tem notícias de um sujeito que por mais perfeito que fosse o organismo, um dia não teve dificuldades nesse ritual mecânico que indica vida. Por isso que por vezes se deseja travar o funcionamento dos pulmões, com métodos cada vez mais sofisticados: navalhas, seringas, cordas, remédios.

O ar é a desgraça da vida.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Créditos

I

dentro de mim
há só um som opaco
do salto alto contra a dureza do asfalto,
um cão faminto que late sem parar,
o esplendor de estilhaços de vidro,
o ruído de cupins devorando paredes,
dentro de mim,eternamente,
o estrondo de carros
que colidem em alta velocidade:
o silêncio da falta de sobreviventes.
II
A cabeça sempre agitada
Parada,
Não há nada em que se pensar.
A boca seca inundada
De silêncio,
Que me devolvam as palavras.