terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Nós

Somos tão parecidos que somos
quase a mesma pessoa,
mas não somos.

Se fossemos seríamos diferentes,
tal qual eu e todos os meus outros eus.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eu queria chover hoje.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

És Lindo

Eu

Não sou alegre
Nem triste.
Tão pouco poeta.

domingo, 6 de setembro de 2009

Andar..

Soslaio Para Um Sol


o sol dos olhos
saltam
pela face
em busca
de terras
que possam
iluminar.
saltam
em sutis movimentos
chamados
olhar.

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Pra o Meu Consumo

(Letra: Gujo Teixeira - Música: Luiz Marenco)

Têm coisas que tem seu valor
Avaliado em quilates, em cifras e fins
E outras não têm o apreço
Nem pagam o preço que valem pra mim

Tenho uma velha saudade
Que levo comigo por ser companheira
E que aos olhos dos outros
Parecem desgostos por ser tão caseira

Não deixo as coisas que eu gosto
Perdidas aos olhos de quem procurar
Mas olho o mundo na volta
Achando outra coisa que eu possa gostar
Tenho amigos que o tempo
Por ser indelével, jamais separou
E ao mesmo tempo revejo
As marcas de ausência que ele me deixou..

Carrego nas costas meu mundo
E junto umas coisas que me fazem bem
Fazendo da minha janela
Imenso horizonte, como me convém

Daz vozes dos outros eu levo a palavra
Dos sonhos dos outros eu tiro a razão
Dos olhos dos outros eu vejo os meus erros
Das tantas saudades eu guardo a paixão

Sempre que eu quero, revejo meus dias
E as coisas que eu posso, eu mudo ou arrumo
Mas deixo bem quietas as boas lembranças
Vidinha que é minha, só pra o meu consumo...

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Selo


Recebi este selo do Max, muito grata pela indicação.
=)

Os blogs que indico são:
http://trocarletras.blogspot.com/
http://oquartoemdesordem.blogspot.com/
http://blog-fuzue.blogspot.com/
http://telegrafando.blogspot.com/
http://clubedasmulheresvividaseinteligentes.blogspot.com/

Beijos,
Obrigada!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pressentimento

Eu sei que tem essa coisa aqui dentro que vai brotando pra fora, às vezes eu digo às vezes eu penso às vezes aquela vontade de gritar ou de chorar ou de fazer amor, eu não sei aquela coisa estranha de correr e não ver ninguém aquela coisa de ir ir ir ir ir e esquecer as regras e não pontuar e não usar vírgulas só aquela sensação de que falta algo ou tem algo sobrando tanto faz é sempre, o mesmo clichê.
Sem tempo ou flores ou canteiro e eu sem nada que pudesse chamar de meu nada que pudesse ser eu que eu pudesse criar e que pudesse transbordar e que pudesse me orgulhar só aquela coisa de músculos exaustos e obstáculos e eu ficando sem saber se estou ganhando ou perdendo, se quero gritar ou chorar ou bater no peito e ter alguma coisa que se parecesse com vida não este ato mecânico de perna atrás de perna, passo a passo, músculo exausto.
Sempre essa tendência essa profunda e rasa resistência eu sempre tentando ser eu eu sempre tentando vencer meus testes eu sempre precisando me aprovar eu sempre sem essa coisa minha que possa chamar de meu eu sempre sem canteiros sempre olhares sempre obstáculos sempre interrupções sempre verve e vontade sempre essa coisa que brota e que desanda sem mais nem menos mas que nem sempre sou eu.
Sempre esse redemoinho cansado e virulento de palavras, sempre essa coisa sobreposta, sempre essa busca essa aprovação esse pulo esse salto essa identificação.
Sempre essa expressão e essa inexpressão essa vontade de ser ou de não ser não sei.
Essa coisa que vem e vai esse virulento ato músculos sílabas. Nada faz sentido. Sempre obstáculos e você precisando me parar porque eu corro e corro e minha vida é sempre obstáculos e não sei se estou vencendo ou se sou a derrotada.
Eu não sei se você me entende mas tem algo que eu não sei o que é que precisa sair nem que seja assim de uma ânsia só, essa flor que nasce quando se enfia o dedo na goela, mesmo que esteja parafraseando mesmo que eu não seja eu mesmo que meu eu seja outros mesmo que eu seja um só mesmo que isso não seja nada.
Ainda assim os obstáculos, eu não entendo. Ir ir ir ir ir mesmo sem saber exatamente porque mas tem algo que faz meu sangue sempre ir e faz meu corpo ir e não me deixa parar mesmo quando penso em desistir.
Será que isso se chama vontade será que tenho esperanças será que isso é algo grave ou será que não é nada. Eu não sei eu sei que existe essa coisa que não é gritar nem chorar nem vontade de fazer amor essa coisa que me é estranha e sempre vem como um teste essa coisa que não sei se tem alma se é espírito ou demônio eu só sei que essa coisa brota e a tendência é sempre ir ir ir ir ir.
Eu queria dizer pra alguém de um jeito simples que talvez não seja ruim ir mas chega uma hora que falta ar que o fôlego é pouco e que você não para e fala tudo e vomita tudo e salve-se quem conseguir.
Eu sei que os músculos ficam exaustos e essa vontade aqui dentro nunca morre eu penso que não dá que não agüento, mas essa coisa é viva essa coisa talvez seja eu, mas eu não tenho bem certeza do que é ser eu porque eu não sei exatamente o que quero ser e não sei se isso é ganhar ou perder e não sei onde raios foram parar os canteiros porque às vezes o corpo descansa, mas aqui dentro não tem canteiros.
É aquela distração aquela coisa que passa ou que não passa, mas que finge passar pelos obstáculos, aquele teste aquela coisa de sempre ir ir ir ir ir ir e de não encontrar ninguém na linha de chegada mas mesmo assim tem algo vibrando.
E logo você chega e de novo aquilo de não saber se ganhou ou se perdeu aquela coisa de gritar ou chorar e aquela coisa presa que não faz diferença e mesmo com os músculos cansados mesmo com a garganta presa e essa coisa sem nome essa coisa de ser e de não ser seu essa teimosia e esse teste e esse ir constante e será que já não cruzei por aqui antes?
Eu não sei, eu não posso parar eu não posso ver não tem canteiros nem flores eu só preciso ir essa coisa de músculos exaustos e de não saber se é bom ou ruim essa coisa estranha essa coisa na garganta. E eu acho que já senti isso antes.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Queridos Alunos..

Quem quer seguir-me neste desafio, deve primeiro reconhecer suas loucuras e entrar em contato com sua estupidez. Acredito que são felizes os que são transparentes, pois deles é o reino da saúde psíquica e da sabedoria. Infelizes os que escondem suas mazelas debaixo da cultura, dinheiro e prestígio social, pois deles é o reino da psiquiatria. Mas, com honestidade... somos todos especialistas em esconderijos. Enfiamo-nos em buracos inimagináveis para nos esconder, até debaixo da bandeira da sinceridade. Somos livres para ir e vir, mas nào para pensar. Nossos pensamentos e escolhas são produzidos dentro dos currais construídos no córtex cerebral. Como podemos ser livres se protegemos nossocorpo com vestes, mas estando nus em nosso psiquismo? Como podemos ser livres se infectamos o presente com o futuro, se sofremos por antecipação, se furtamos do presente o direito inalienável de beber da fonte da tranquilidade? Assim, convido-os para caminhar nas vielas de seu próprio ser.


*Trecho de VILSON , professor de filosofia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tempo

Ouvir a chuva cair,
Ver o amor aumentar.

Nada como deixar o tempo passar.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Billie Holiday, cover.

Eu disse a ele que se fosse uma daquelas negras que cantavam jazz iria cantar só para ele, ele riu. Me disse que eu era mesmo inconseqüente e que terminasse logo de beber aquela cerveja que ele queria ir embora.
Eu fiz pouco caso, a cerveja estava quente, eu já havia me acostumado com isso, assim como me acostumei com a mania dele de deixar os sapatos pelo meio da casa e me chamar de cachorra no meio da transa.
No fim é tudo sempre igual, a gente se acostuma e gosta, caso contrário as coisas não estariam do jeito que estão.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Excesso

Os olhos ficando cada vez mais cerrados, o pensamento tão distante, tão distante... A cabeça apoiada no braço, a cabeça caindo involuntariamente num cochilo repentino, e também o susto que a faz acordar com a cabeça caindo. Sono, muito sono. O dia abafado, o suor na testa, a cabeça apoiada no braço. A cabeça caindo involuntariamente, o susto... Os olhos semi-cerrados novamente, sono. Muito sono.

O Suplício

O melhor era ter certeza de que não havia mais ninguém na repartição, ter certeza de que era o único que fazia hora-extra, analisando pilhas e pilhas de papéis que na verdade não serviam pra nada. Mas sempre fora o único durante anos a ficar ali sozinho até as 2 da madrugada com aqueles malditos papéis que na verdade não serviam pra nada e o tic-tac repulsivo do relógio azul que puseram na parede a sua frente.
Como se analisar papéis inúteis já não fosse o suficiente, instalaram aquele escravizador de humanos bem a sua frente, quase como uma provocação.
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Ressoando profundo em sua alma.

Levanta João, quebra esse relógio, não tem ninguém na repartição.

Sorte

Antes da última tragada, pensei por instante, numa fração de tempo quase inexistente,
que essa merda estava devorando uma parte da minha vida.
E ri. Um desses risos que ficam sem jeito no canto da boca.
Quê vida?

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Do Pecado

Vou roubar-te a paz hoje a noite,
Sentar no teu colo e dizer
pausadamente,
cuida-de-mim.

Você vai me olhar assim,
desnorteado.
Não se brinca com tamanho
desejo irrefreável.

Mas eu sou sim, sua maldade.
Cuida-de-mim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Dom

Se eu tivesse o dom eu já o teria perdido,
Escrevo por teimosia.
Carne que se expande e se materializa
Vocalicamente através de letras.

Nem sempre escrevo a verdade,
É a parte que se perde
Quando chega a outros ouvidos
Minha voz silenciosa.

Se eu tivesse o dom o devolveria,
Eu prefiro a rua e os marginais
A força de matar sozinho
A escuridão dos dias.

Nem sempre tenho coragem,
Ando por teimosia
Sangue que corre ao revés dos dias
Palavra pugilista que me arrebate e me tranca a memória.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desconhecido

Primeiro foram os olhos, perfuraram-nos com agulhas de prata. Manteve-se firme perante sua última visão, mãos frias invariavelmente em sua direção.
Depois resolveram mudar a forma de sentir, alteraram seus sentimentos, seus gostos, seu paladar. E por último instalaram-no pensamentos novos. No inicio estranhou aqueles pensamentos ali, invadindo sua vida. Mas logo habituou-se tanto, que deixou de contesta-los. Era até mais cômodo não precisar pensar.
Adaptou-se tanto a essa nova condição, que aos poucos esquecia que era cego. Criava imagens concebidas pelos seus novos pensamentos e construía ali, sua realidade.
Um dos sentimentos novos que mais lhe assegurou a felicidade foi um que respectivamente chamou de conformismo. Ora, o que antes lhe afligia era a sensação de impotência aos fatos, agora tudo estava resolvido. Não se afligia mais, as coisas são como devem ser. Os mesmos homens que lhe perfuraram os olhos, (causando dor e sofrimento, foram também os responsáveis por lhe assegurar a paz de espírito) o ensinaram que tudo é premeditado. E assim deve ser, não se luta contra o destino.
Depois resolveram o deixar apenas em uma posição. Sentaram-no.
Ataram seus braços e suas pernas. Acostumou-se tanto a imobilidade que nem percebeu quando o soltaram, manteve-se sentado. Afinal já não possuía mais pensamentos, nem sentidos e era cego.
Sentado não corria o risco de chocar-se na parede ou aos móveis, e, ou ainda, a pessoas.
Depois, para que não se sentisse tão só, juntaram-no a mais 20 pessoas. Todos sentados em uma sala fechada, asquerosamente branca.
Falaram todos da incapacidade de ver, mas curiosamente nenhum deles lembrava mais como era enxergar. E por fim acabaram acreditando que talvez nunca tivessem visto na vida, talvez fosse apenas mais uma invenção que suas imaginações criaram, houve até quem duvidou de que fossem cegos. E alguns foram além, disseram sim, que eram capazes de pensar por conta própria. Que estes pensamentos ainda eram feitos por eles e não implantados pelos homens.
E foi aí que se instalou o caos. Já não sabiam mais quem eram, esqueceram seus nomes, confundiram suas histórias. Na verdade todos queriam fugir, mas era impossível se mover, então desejaram ser surdos nesse instante. E assim se fez, descobriram que eram capazes de fazer as coisas que imaginavam. E um silêncio abrasador reinou.
Não sabiam se isso havia sido um esquecimento dos homens, ou feito por eles.
Vinte e um homens em uma sala asquerosamente branca.
E duvidaram de que houvesse companhia, talvez estivessem mesmo sozinhos.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Tão só...

Você tem se sentindo tão só. Tem se sentido cada vez mais estrangeiro em sua terra, e talvez essa não seja mesmo a sua terra. Não a terra que seus olhos mereciam ver, não as pessoas que estariam aptas a reconhecer sua alma.
Você tem chorado no escuro, tem ouvido diversas vezes a mesma canção e dentro de si sente que existe vida. Uma vida linda e forte que aguarda ansiosamente pelo momento em que irá brotar, irá transparecer à sua face revertendo anos de clausura amarga. E você chora, chora de saudades dos dias que virão sem ter exatamente certeza de que eles virão.
E sente um gosto parvo na boca, sua essência tem sido parva, nula. E você quer mais, você naturalmente precisa de mais, precisa de excessos, precisa transgredir regras morais que você nunca obedeceu, precisa se libertar de um ego inferior e que te arrasta para fossas sem fins e vazios discrepantes.
Tarde de verão, você tem se sentido tão só. Os mesmos vícios de pensar e sentir, o mesmo ar sonele do quarto, a mesma vista rubra da janela. Você precisa sair, você precisa abandonar as raízes, precisa vislumbrar campos, estourar dores.
Você tem se sentido tão só, tão só...

segunda-feira, 8 de junho de 2009

La Luna de Espejos

De: Jorge Drexler

Mabel, dejó
el bolso con unas amigas
y salió a bailar,
las luces violetas la protegían.

Mintió la edad
cruzando la pista vacía,
y lo abrazó,
sonaban las lentas, lo permitían.

Y la música siguió,
y la pista se llenó.

Giraba conversando con él.

Se habían visto alguna vez, un baile en el club de Salinas,
los comentarios de rigor, y la mano en la espalda la sostenía.

Un mostrador
de mesas de salón de clase.
La multitud.
La luna de espejos giraba en el aire.

Y la música ayudó,
vio la pista oscurecer.
Su cuerpo recostándose en él.

Mabel dudó,
pero no corrió la mejilla,
y besó también,
fingiendo saber mientras aprendía.

Y la música cambió, y la pista despertándose,
y aquel perfume nuevo en la piel.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Aumoço

Como foi o almoço amor?

amor
amora
mora
more
moreca
cati

* by Eduardo Dani.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nanotecnoligações.

Nenhuma
Palavra
É forte
O suficiente.
O tiro que mata
O gole que embriaga
A reza que salva.

Desvirtuado ao ponto de se dizer invencível.
Os dias são todos úteis.

Ridículo.

Tu és ridículo. Você sabe que o é e que não há como fugir disso.
Não importa o que você diga, o que você pensa sempre acaba num vazio lascivo e extenso. Você desmorona, tua verve não é o bastante, tuas idéias são parvas.
Tu és ridículo, você sabe que o é. E ainda sonha em levar a vida de uma maneira digna, pobre sonhador, utópico de merda. Como vai chegar lá se tua vontade sempre é mínima? Se dentro de ti mora um derrotado que você vive tentando esconder? Tu és ridículo.
Você sabe, você sabe de tudo, inclusive sabe que não é capaz de amar. É um romântico careta, um moralista vigário. Ridículo. Um incapaz. Mas você finge que não é.
Você sabe fingir, sabe falar, sabe persuadir assim como fez Hitler. Não demora muito e a nação se curvará a teus pés, alvo fácil.
Você é capaz de tudo, e não passa de um miserável. Você anda como rei na sua podridão a qual chama de castelo, seu reino é fictício. Mas você tem razão, todos têm razão, e ainda assim você sabe que não há como fugir disso. Ridículo.
Mas até quando vai suportar a coroa que pusestes na cabeça? Tua força acaba sempre quando você mais precisa dela, na verdade acho que você desiste.
E tinha tudo pra ser Deus, mas é um frouxo. Tem medo do escuro e fecha os olhos.
Você sabe que não há como fugir disso.

Cuspir, afogar, matar.

Eu não sei muito bem
O que pensar.

Queria deixar de ser
Cuspir, afogar, matar.

Olha pra mim,
Autocrítica destrutiva
Razão imposta
Morta.

Eu não sei muito bem.
Às vezes eu esqueço.

sábado, 23 de maio de 2009

The Sun Will Rise

Iron & Wine *


What if you were told that the sky would fall tomorrow night
Would you run and hide or go and play?
What if you were told that a boy named Cain was right outside
Would you run and hide or go and play?

A smile will bring a smile, a pail filled with rain
Your mothers milk will dry, the sun will rise again

What if you were told that your lover's hands were dead and cold
Would you run and hide or go and play?
And what if you were told the only point to life is to get old
Would you run and hide or go and play?

The sun will rise again and again and again

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bullet - Life Bitter

Se não tivesse
Essa ironia na língua,
Nem essa aspereza
Mordaz em ouvir
Se não tivesse
Esse remoer constante
De coisas antigas,
Nem a acidez
Estomacal fria
Que sobe
Pela garganta,
Talvez,
Talvez tivesse
O hálito fresco.


Os Nervos de Aço Que Precisava

Uma crise. Era isso que tinha, há dias vivia na crise. Pensava nos sentimentos, na falta de vontade, nos conflitos do oriente médio, no formato simétrico da boca dele.
Uma crise era assim, ansiar por várias coisas ao mesmo tempo e não realizar nada daquilo, é uma agonia de esperar, um agonia dessas de acordar no meio de um sonho ruim, vontade de chorar e ao mesmo tempo de não chorar. Não se render assim, tão facilmente, às artimanhas das vontades.
Elas não são suas amigas e você não tem o menor controle sobre elas, vem disfarçadas com sentimentos, querem supremacia total, e você se acomoda, acostuma, gosta.
Você abre a garrafa de vinho, você pega o telefone, você liga pra ele, você fuma um cigarro, você chora, você se embriaga e ri e grita pela rua toda, nua, que não o ama mais.
Aí você acorda. Explica pros seus vizinhos que foi uma crise, que foram os sentimentos. Tenta demonstrar uma certa racionalidade, mas ninguém se apieda de você e sabe por quê? Por que você não sabe se controlar, porque você não manda em você, porque você dá mancada de mais.
E você pensa nos olhos dele. Parece que você o ama, parece que você domina isso. Mas não domina, a pouco você disse que não o amava mais.
E volta a fumar um cigarro, arruma o cabelo, exagera no perfume. Finge que está tudo bem, que não pensa nos sentimentos nem no ser alheio a você que existe dentro de si. O seu pior inimigo, aquele que você tenta matar todos os dias.
Uma crise, era só isso. Explicava assim o repentino sumiço aos bares da cidade. Não era nada demais, nada de grave, e dizia que estava quase namorando e que ele tinha lábios simétricos e olhos perfeitos, que recitava poemas pra você.
E eles a olhavam espantados, notavam que sua língua parecia tremer que sua voz às vezes ficava fraca e que parecia distante. E parecia mesmo que o que tivera fosse uma crise, como se algo dentro de si houvesse morrido.
E você pensava nos sentimentos, na vontade absurda que tinha de mandar todos eles à merda e chorar desgostosamente na calçada.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Simulacro

Desculpe, não sou um sonho teu.

sábado, 28 de março de 2009

Sobre Vitoriosos

Aí você fica se perguntando sobre a vida. Lê alguns comentários de jovens escritores questionando qual a resposta certa para “Por que você escreve?” e você pensa “por que escrevo?” e mais ainda, nota que há tempos não escreve nada que você julgue descente e se pergunta por que isso.
Será falta de vontade, de perseverança, de trabalhar sobre as idéias ou será que você sem saber e mesmo sem acreditar perdeu a inspiração?
E resolve tentar escrever algo, coloca uma musica calma dos Beatles pra tocar e se lembra dos fãs árduos de Beatles e todos os fanáticos em algo e declara-se fanática também e sabe que essa visão é um tanto cega, mas não pode evitar. E outros pensamentos lhe atravessam, se cruzam se batem se distorcem e parece que tudo flutua ali dentro, e você sente uma necessidade de organizar isso, de saber racionalizar os fatos e perde totalmente o fio da meada.
De fato, porque comecei a escrever mesmo?
Bem, não importa, é o fluxo de idéias que me deixa confusa. Outra música boa, os fanáticos de certa forma têm razão.
Obstinados. Lembro-me dessa palavra e lembro que a achei extremamente forte no contexto da história, ele me disse que seus olhos estavam obstinados e eu disse que eram olhos vitoriosos. E onde estará ele agora?
Possessividade, ciúme e egoísmo, não posso evitar. É como escrever, não posso evitar mesmo que o resultado seja frustrante. As idéias se confundem, há uma dificuldade de racionalizar porque os sentimentos sempre chegam adiantados.
E você continua parado olhando pro monitor e pensando “a quem ráios isso interessa?”. A resposta é a você mesmo e mais ninguém. Sim, interessa só a mim.
E volto a ler colunas em sites quaisquer, meu telefone toca. É preferível não atender, você sabe que é errado, mas você tem livre arbítrio e decidi o deixar tocando e continua pensando em escrever e seguir a linhas tortas rumo a um final que até então é desconhecido. Como a vida.
E você não viveu o suficiente, sabe que tem muita coisa escondida pelas cortinas e não entende o motivo de certas cerimônias. E segue abrindo seus e-mails e se perguntando da utilidade das novas tecnologias e mídias e as idéias seguem livres, mesmo que sem razão alguma. Talvez eu não precise tanto da verdade.
Por que você não escreve algum conto fantástico? À lá Ricardo de Azevedo ou algum realismo fantástico como o García Márquez? Por que você se sente assim?
E sem querer você se lembra de outros tipos de fanáticos, porque essa palavra não deixa de assemelhar-se a fantástico, e não há dúvidas, fanáticos são chatos. Muito chatos.
E pensa nas notícias de amanhã, não sabe exatamente porque, mas sabe que as noticias de amanhã já estão prontas.
Perde a paciência e fecha o site de colunas, você não precisa deles. Você os acha vendidos demais ou então rasos, mas você nem sabe o que é ser profundo e você seria tão vendido quanto eles, a única diferença é que ninguém lhe ofereceu a quantidade certa. E pensa na vida novamente, mas não pensa em nada construtivo. Tem um lado seu que é totalmente suicida, mas você não se importa. Tem preguiça e esse conformismo de pensamento lhe apetece.
Obstinado. Volta a lembrar dele. E percebe que talvez sempre pense no mesmo.
E volta a pensar que há tempos não escreve nada descente. Poderia transcrever a conversa que teve com ele, mas seria uma cópia e eles não entenderiam o pulsar do sangue, afinal, não entendem nem o meu fluxo de idéias e nem há por que entendê-las.
E acaba ouvindo Johnny Cash e com vontade de parar de escrever, tem coisas que fogem a ditadura das palavras.
Outras se encaixam perfeitamente, obstinados.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Soletre Um Verso

A natureza de todas as coisas, “retrocede, retrocede” ela dizia, eu fingia não a ouvir. Podia dizer que essa era uma decisão minha, parte da minha visão de mundo quanto ser humano desiludido de existir.
Retroceder exatamente quanto tempo? Cinco anos atrás? Três minutos? Minha vida inteira? Dois passos? Retroceder até o momento exato em que me tornei o homem que hoje sou e que te assusta podendo se jogar no infinito?
São pífias as suas tentativas enquanto rugir o leão faminto do desassossego em mim. Já disse a você que estou desiludido, não disse?
Eu queria que todos vocês, carnes estúpidas, pudessem sentir as farpas que me imobilizam os pensamentos, as milhares de fogueiras que queimam minha alma, o gosto lúgubre que sinto ao abrir os olhos, queria arrancar-lhes as pálpebras e impedi-los de gritar vendo a navalha afiada desenhando em suas peles, furando a íris de seus olhos.
Eu sou um artista, não me diga para retroceder. Afaste-se você de mim, afaste-se você do que tenho a dizer. Você não entende nada, você não poderia entender nada e na verdade tanto faz não faz diferença alguma. Você é muito jovem e bonita, não deveria ouvir meu mosaico de pessimismos.
Um dia eu também fui jovem, ou achei sê-lo quando as cores eram vivas. Mas é mentira, no fim a escuridão é maior que qualquer cor e você fica em estado crítico, no sofá da sala ou no chão do bar, no canto do quarto ou na areia do mar, você sozinho aqui ou em qualquer outro lugar, você, desenho desanimado.
Na verdade eu sou um monstro, um canalha, um ridículo que tenta lhe comover com sofrimentos vãos e pieguices, que te faço pensar que a vida foi cruel comigo. Veja você que ironia...
Mas eu sou um artista, o único culpado pela minha infelicidade e finjo, minto, maldigo, grito, que a culpa é do mundo, da hostilidade dos deuses, da vida! Eu sei que você não entende nada, você nem ao menos me conhece, mas valoriza a vida. Supervaloriza a existência.
Você tem olhos bonitos, não, não estou te paquerando e essa nem seria a hora ideal para isso, mas eles são mesmo bonitos. São profundos e ao mesmo tempo breves. Entende?
Um mar de paradigmas que me absorve aos poucos.
Espero que você não pense nisso a sua vida toda, lembre-se que sou um artista e a vida é um palco, e, que seus olhos são um eterno paradigma.
Você deveria se afastar ou fechar os olhos, saiba que não vou retroceder, é a natureza de todas as coisas.

domingo, 8 de março de 2009

Água Pura

Trucidam-se almas
E mantém-se o corpo intacto,
Livres de qualquer aspecto pútrido.
Dentro do invisível,
Do cárcere da íris.
Dores insuportáveis
Trafegam sem destino,
Em rios de lágrimas voláteis,
Em peças de teatro,
Em cores abstratas.
Buscam refúgio
Em outro mundo.
Rasgam-se memórias
E permanece intacto
O orgulho de existir.
Repreendem-se desejos
E sustenta-se sadia
A razão.
Cultivam-se sonhos impossíveis
E chama-se a frustração de azar.
Resgata-se a consciência
E provoca-se o acaso
Com palavras de esperança,
Ladainhas conformistas
De merecimento.
Enterram-se os mortos
E calam-se as perguntas.
Busca-se refúgio
Em outro mundo,
Livres de qualquer aspecto pútrido.

sábado, 7 de março de 2009

Petálas

Percebia-se no fundo, aquele olhar meio enviesado, como se desconfiasse do destino. Como se em alguma parede alguém já tivesse rabiscado esse olhar antes, como se estivessem brincando com sua resistência.
Um olhar que às vezes, meio distante, tinha a tristeza de muitos anos desconhecidos, de planos e sonhos que lhe foram negados, de alegria que não teve oportunidade de se mostrar. Como se alguém estivesse brincando com sua resistência.
Poder mediúnico, talvez tivesse premonições, sensibilidade aguçada, erro de percepção, loucura. Dormia e seus sonhos eram esquetes da realidade, dormia e o peso do mundo não lhe saia do consciente. Seria alguma auto-sabotagem? Uma espécie de vingança inconsciente a sua forma indiferente de levar a vida? Seria ela tão cruel e saberia ela vingar-se com justiça?
Não, não, não, percebia-se no fundo, aquele olhar desconfiado. Melhor esquecer. Deveria existir um deus, senhor da consciência, a razão de toda a constelação, a explicação para as linhas da palma da mão, o pulsar da natureza, deveria existir algo. Algo testando a sua resistência, aquelas alegrias que não tiveram a oportunidade de se manifestar o breu de todo mar momentos de iluminação náusea redenções algo que testava sua resistência.
E olhava sempre sozinha, como se fosse mais difícil esquecer, como se a demência fosse uma opção plausível, como se a realidade estivesse morta. Sempre sozinha e às vezes aquele olhar macio de quem analisa a situação e não há nada errado.
Como se não houvesse nada, nem ao menos paredes onde se rabisque o futuro, como se nada não estivesse como deveria ser.
Seria alguma espécie de auto-sabotagem? E saberia ela dosar a medida certa de uma vingança justa para si?
Percebia-se no fundo, aquele olhar meio enviesado, como se distraído andasse sem dor. Aquele olhar que se misturava ao breu, olhos infinitos de resistência, demência, erro de percepção.
E às vezes sozinha, quando ninguém percebia, sorria. Aquele olhar desajeito, mero acaso.
Auto-sabotagem?
Não, não, não, talvez premonição.

Ella

Há dias que não se sentia assim, assim como se não houvesse palavras para definir o que sentia. E era necessário que tudo fosse classificado, definido, organizado.
Um desajuste desses num peito como aquele traria problemas de ordem descomunais.
Hoje quando o reviu cortando a espessura do ar com passos acelerados e diretos, sentiu que ele não desviaria seu olhar sob hipótese alguma, salvo, é claro, se acontecesse um episódio inusitado. E mesmo assim, seus olhos se distanciariam de vê-la, sendo sugados pela curiosidade de desbravar o acontecido. Não a veria, outra vez.
Ela lembrou-se que já havia lido algo escrito por ele, em alguma coluna de jornal de baixa circulação. Era de opinião conturbada, tendencioso a clichês, parecia raso de bravura, ao menos quando se expressava literalmente, pois seu porte e seus passos diziam exatamente o contrário. Fervorosamente centrado e firme. Era ele, sua própria contradição.
E o vendo agora, envolta ainda num desconhecido sentimento, percebeu que sua postura lhe atormentava. Sim, seus gestos não condiziam com o homem das páginas do jornal.
Reteu-se um instante e tendo-o agora de costas para si, com passos frenéticos e eloqüentes, distanciando-se cada vez mais de uma possível aproximação, sentiu no peito um calafrio, um ardor daqueles que condiz a pressentimentos (ela que não era muito de ter pressentimentos) e uma angústia caustica lhe subiu a alma, por deus, o homem que se escondia por trás daquele modo robusto e feição aplacadora trazia dentro de si, não mais do que um arquétipo qualquer pobre e indeciso sobre seus anseios sob a vida.
Marchava indiferente, como se seus passos se destacassem em um néon que atravessava todas as ruas da cidade, mas era inconstância. Encenação, nada mais. Ao fim todos fingem para si sua imagem no espelho.
E o vendo desaparecer, tendo certeza da estranha condição que cada um se impõe, remoeu-se sozinha, construindo mentalmente uma análise de sua linguagem corporal e depois a comparando com as palavras no papel e a tinta abstrata de todas as telas, descobriu-se imóvel, pálida. Escondia algo de si, mas o quê seria? A verdade se contradizia. Obrigou-se há refletir um instante, e desconheceu também seus anseios sob a vida.
-Bom dia, Cristhi! Saúda um transeunte que também encena.
-Bom dia! E como não haveria de ser? Responde sem hesitar, em quanto seu sorriso esconde de si, as cortinas que abrem os atos.

Hope

Às vezes era como um sopro de vida, uma agitação nos terrenos viscosos do peito, um bicho afoito querendo fugir, um desejo imenso de não ter reparação.
E então tudo ficava mais bonito, o olho rasgava imagens tristes e explorava cores novas. Era como um sopro de vida, uma luz que rebentava da escuridão, a alma leve e tudo mais ia pedindo passagem, andava com um porte mais elegante, com as rédeas da mágoa e desilusões soltas.
E eu fechava os olhos sem apreensão nenhuma, consciente da estrada inteira que havia acabado de criar, ia andar, e se caso o rumo deixasse de me agradar, fácil, era só mudar, transformar.
Às vezes era como um sopro de vida, agitação rasteira nos terrenos viscosos do peito.

Mofo

Faço drama demais, meu sangue se esvaindo pelas brechas na carne que eu mesma fiz. Tenho andado mesmo pela perdição, to no fio da navalha, sem conserto. O ópio que se revele nas minhas veias cansadas, que estanque meu coração, que se deixe a razão.
Esse mundo não vale a pena, é belo demais para olhos sensíveis. É belo demais para minha compreensão opaca e curta.
Faço mesmo drama demais, esquece o sangue, amor, meu ego só quer a tua atenção. Cospe em mim, a vida é bela demais para a minha compreensão.

Para Grandes Olhos Negros Conhecidos

Tive a impressão de que já o conhecia, aqueles grandes olhos negros não me eram estranhos. Talvez o tivesse visto em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. Talvez jamais o tenha visto, eram olhos comuns, um homem comum.
Ele me olhou como se também já tivesse me visto, em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. É provável também que nunca tenha me visto, tenho olhos comuns, uma mulher comum.
Talvez nos conhecêssemos de vidas passadas, mas não sei se acredito em vidas passadas.
Sei que atravessava o corredor e ele estava parado, por algum motivo qualquer o vi, não estava no meu campo de visão. O vi e foi como se já o tivesse visto.
Foi exatamente isso, o vi e foi como se já o tivesse visto e, no entanto talvez nunca mais o veja.
Eram grandes olhos negros dramáticos, cúmplices, todavia, de um grande segredo, algo alarmante, terrível, negro como seus olhos: conhecíamos-nos.
Quem sabe de alguma festa, bar, sonho, lugar algum, vidas passadas. Não importa, nos reconhecemos. Pessoas comuns.

Estilhaços de Álvares de Azevedo

I

Um bolo indigesto,
Intragável,
Que se juntava aos demais com o passar do tempo.
Uma necessidade,
Um desejo,
Deus era um frio que brotava de dentro,
Que ardia nos ossos,
Emaranhava-se as dores,
Penetrava a carne.
Eu sentia cada vez mais medo,
Cada vez mais frio,
Cada vez mais,
Mais
E
Mais.
Frio.
Deus,
Eu menina
De
Mãos congeladas
Queria chorar,
Nevava em alto mar.




II

Devia se isolar do mundo,
Devia esquecer
Sim, devia esquecer.
A morte vem sempre tão impiedosa,
A morte vem como salvação
Como cura dos males,
A morte vem
Me diz oi,
A morte,
A morte impiedosa.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Conto Interminado

Um dia nos veremos. Eu disse a ele incrédula de minha certeza, às vezes o coração desembesta, gira afoito e laça numa súplica, qualquer desejo esquecido. Um dia nos veremos, lhe prometo. Fortemente contra o peito a cruz em que me ajoelho e verto sangue em orações dissonantes. Cristianismo entrevado nos poros da pele, tradição de família. Desejo de pai, anjo que ergue as asas sobre o sol de verão.E ele disse que sentia minha falta, disse que sente minha falta e que pensava em mim. Um dia nos veremos, repeti, repeti saudosa com teu olhar ainda pairando sob minha alma descoberta, pairando num ínfimo momento de verdade. Tua essência caindo leve, gota a gota, despencando por penhascos fúnebres das minhas dores, desvendando as cores reprimidas pela rotina de chorar. A cruz que levo nas costas, que atravesso ruas movimentadas, que desafio o diabo, que me protejo.Um dia nos veremos. Tua amabilidade duvidosa, minha paz inquieta, saudade. Teço tua vida conforme me representa o brilho embriagador de teus olhos, de noites de inverno com café, de filmes sutis de dias sem nada dizer.E tuas mãos leves, como que se colhessem flores, tuas mãos leves e sadias. Crias-te em mim a sensação de ser possível, de que não nos encontramos antes porque era preciso aumentar a sede de viver, a sede do querer. Fizeste-me crer que essas mesmas mãos criariam junto com as minhas, os mais belos caminhos. E ainda assim eu disse que um dia nos veríamos.Há coisas que não se repreendem. Como daquela vez em que subiste até a torre da estação telefônica e em plenos pulmões gritou seu desprezo pelo ridículo ego que traz dentro de si. Tive medo de que cometesse a obscuridade do desconhecido, mas era apenas fogo de libertação que regurgitava de si.Tua duvidosa amabilidade, a certeza de que um dia, quem sabe antes do previsto possamos um dia nos reencontrar.Escrevi na porta poemas loucos de amor e paixões egoístas e todos eles encontravam final na vogal de seu nome, todos eles incentivavam inconseqüências malditas que o poder da cruz há de partir.Jazz invadindo a alma, uma voz rouca na leveza interminável da angustia, um dia nos veremos. Prometo. Como a prata dos talheres que jamais tive, como os versos que me dedicaste, como a fúria de um deus traído, imaculado, prometo, como o amor de antigos profetas ao destino.Luz baixa sob os móveis do quarto, minha exata solidão, luz baixa sob minhas perspectivas frustradas, lágrima inaudita sob indizível discrepância: um dia nos veremos.

Ele é Carioca

Libertina. O faria transgredir muitas regras morais. Talvez ele não estivesse jamais traindo seus ideais, apenas seria capaz de cometer atrocidades se isso deixasse meu ego inflamado, se servisse como prova da imortalidade de seu amor por mim. Escreveria cartas de amor, desenharia nas nuvens, cortaria o fel da realidade com a doçura de sua língua, inundaria o deserto, estenderia os segundos, roubaria de deus seu veneno mortal, esculpiria o abstrato.
No delírio da minha ambição, saciaria minha falta de grandes conquistas, render-me-ia conquistas, incalculáveis vitórias, dominaria nações, desestabilizaria o convencional, criaria religiões.
Ah! Libertina, de ópios e guerras e sangue nobre. Ah! Libertina, de possessividades e contradições. Liberta do rigor dos sinais, liberta da escravidão que sugeres tu as palavras. Desprende a alma da carne, domina o espelho cruel que te reflete, morde a mediocridade da rotina. Tua voz clama por um amor de verdade, por laços que transcendem, por ruas desertas.
Ele tem olhos de fogo, Copacabana me ama, Noel Rosa me ama, Tom Jobim me ama. Ele tem olhos de mar, profundidade verde onde naufrago meu barco de quimeras tristes, meus monstros guardadores de tesouros.
Ele me ama, Cristo redentor em chamas.



*Seu sorriso é um paraíso.
;)

(Cortina de Ilusões..)