quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Eu queria chover hoje.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

És Lindo

Eu

Não sou alegre
Nem triste.
Tão pouco poeta.

domingo, 6 de setembro de 2009

Andar..

Soslaio Para Um Sol


o sol dos olhos
saltam
pela face
em busca
de terras
que possam
iluminar.
saltam
em sutis movimentos
chamados
olhar.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Selo


Recebi este selo do Max, muito grata pela indicação.
=)

Os blogs que indico são:
http://trocarletras.blogspot.com/
http://oquartoemdesordem.blogspot.com/
http://blog-fuzue.blogspot.com/
http://telegrafando.blogspot.com/
http://clubedasmulheresvividaseinteligentes.blogspot.com/

Beijos,
Obrigada!

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Pressentimento

Eu sei que tem essa coisa aqui dentro que vai brotando pra fora, às vezes eu digo às vezes eu penso às vezes aquela vontade de gritar ou de chorar ou de fazer amor, eu não sei aquela coisa estranha de correr e não ver ninguém aquela coisa de ir ir ir ir ir e esquecer as regras e não pontuar e não usar vírgulas só aquela sensação de que falta algo ou tem algo sobrando tanto faz é sempre, o mesmo clichê.
Sem tempo ou flores ou canteiro e eu sem nada que pudesse chamar de meu nada que pudesse ser eu que eu pudesse criar e que pudesse transbordar e que pudesse me orgulhar só aquela coisa de músculos exaustos e obstáculos e eu ficando sem saber se estou ganhando ou perdendo, se quero gritar ou chorar ou bater no peito e ter alguma coisa que se parecesse com vida não este ato mecânico de perna atrás de perna, passo a passo, músculo exausto.
Sempre essa tendência essa profunda e rasa resistência eu sempre tentando ser eu eu sempre tentando vencer meus testes eu sempre precisando me aprovar eu sempre sem essa coisa minha que possa chamar de meu eu sempre sem canteiros sempre olhares sempre obstáculos sempre interrupções sempre verve e vontade sempre essa coisa que brota e que desanda sem mais nem menos mas que nem sempre sou eu.
Sempre esse redemoinho cansado e virulento de palavras, sempre essa coisa sobreposta, sempre essa busca essa aprovação esse pulo esse salto essa identificação.
Sempre essa expressão e essa inexpressão essa vontade de ser ou de não ser não sei.
Essa coisa que vem e vai esse virulento ato músculos sílabas. Nada faz sentido. Sempre obstáculos e você precisando me parar porque eu corro e corro e minha vida é sempre obstáculos e não sei se estou vencendo ou se sou a derrotada.
Eu não sei se você me entende mas tem algo que eu não sei o que é que precisa sair nem que seja assim de uma ânsia só, essa flor que nasce quando se enfia o dedo na goela, mesmo que esteja parafraseando mesmo que eu não seja eu mesmo que meu eu seja outros mesmo que eu seja um só mesmo que isso não seja nada.
Ainda assim os obstáculos, eu não entendo. Ir ir ir ir ir mesmo sem saber exatamente porque mas tem algo que faz meu sangue sempre ir e faz meu corpo ir e não me deixa parar mesmo quando penso em desistir.
Será que isso se chama vontade será que tenho esperanças será que isso é algo grave ou será que não é nada. Eu não sei eu sei que existe essa coisa que não é gritar nem chorar nem vontade de fazer amor essa coisa que me é estranha e sempre vem como um teste essa coisa que não sei se tem alma se é espírito ou demônio eu só sei que essa coisa brota e a tendência é sempre ir ir ir ir ir.
Eu queria dizer pra alguém de um jeito simples que talvez não seja ruim ir mas chega uma hora que falta ar que o fôlego é pouco e que você não para e fala tudo e vomita tudo e salve-se quem conseguir.
Eu sei que os músculos ficam exaustos e essa vontade aqui dentro nunca morre eu penso que não dá que não agüento, mas essa coisa é viva essa coisa talvez seja eu, mas eu não tenho bem certeza do que é ser eu porque eu não sei exatamente o que quero ser e não sei se isso é ganhar ou perder e não sei onde raios foram parar os canteiros porque às vezes o corpo descansa, mas aqui dentro não tem canteiros.
É aquela distração aquela coisa que passa ou que não passa, mas que finge passar pelos obstáculos, aquele teste aquela coisa de sempre ir ir ir ir ir ir e de não encontrar ninguém na linha de chegada mas mesmo assim tem algo vibrando.
E logo você chega e de novo aquilo de não saber se ganhou ou se perdeu aquela coisa de gritar ou chorar e aquela coisa presa que não faz diferença e mesmo com os músculos cansados mesmo com a garganta presa e essa coisa sem nome essa coisa de ser e de não ser seu essa teimosia e esse teste e esse ir constante e será que já não cruzei por aqui antes?
Eu não sei, eu não posso parar eu não posso ver não tem canteiros nem flores eu só preciso ir essa coisa de músculos exaustos e de não saber se é bom ou ruim essa coisa estranha essa coisa na garganta. E eu acho que já senti isso antes.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Queridos Alunos..

Quem quer seguir-me neste desafio, deve primeiro reconhecer suas loucuras e entrar em contato com sua estupidez. Acredito que são felizes os que são transparentes, pois deles é o reino da saúde psíquica e da sabedoria. Infelizes os que escondem suas mazelas debaixo da cultura, dinheiro e prestígio social, pois deles é o reino da psiquiatria. Mas, com honestidade... somos todos especialistas em esconderijos. Enfiamo-nos em buracos inimagináveis para nos esconder, até debaixo da bandeira da sinceridade. Somos livres para ir e vir, mas nào para pensar. Nossos pensamentos e escolhas são produzidos dentro dos currais construídos no córtex cerebral. Como podemos ser livres se protegemos nossocorpo com vestes, mas estando nus em nosso psiquismo? Como podemos ser livres se infectamos o presente com o futuro, se sofremos por antecipação, se furtamos do presente o direito inalienável de beber da fonte da tranquilidade? Assim, convido-os para caminhar nas vielas de seu próprio ser.


*Trecho de VILSON , professor de filosofia.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Tempo

Ouvir a chuva cair,
Ver o amor aumentar.

Nada como deixar o tempo passar.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Do Pecado

Vou roubar-te a paz hoje a noite,
Sentar no teu colo e dizer
pausadamente,
cuida-de-mim.

Você vai me olhar assim,
desnorteado.
Não se brinca com tamanho
desejo irrefreável.

Mas eu sou sim, sua maldade.
Cuida-de-mim.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

O Dom

Se eu tivesse o dom eu já o teria perdido,
Escrevo por teimosia.
Carne que se expande e se materializa
Vocalicamente através de letras.

Nem sempre escrevo a verdade,
É a parte que se perde
Quando chega a outros ouvidos
Minha voz silenciosa.

Se eu tivesse o dom o devolveria,
Eu prefiro a rua e os marginais
A força de matar sozinho
A escuridão dos dias.

Nem sempre tenho coragem,
Ando por teimosia
Sangue que corre ao revés dos dias
Palavra pugilista que me arrebate e me tranca a memória.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Desconhecido

Primeiro foram os olhos, perfuraram-nos com agulhas de prata. Manteve-se firme perante sua última visão, mãos frias invariavelmente em sua direção.
Depois resolveram mudar a forma de sentir, alteraram seus sentimentos, seus gostos, seu paladar. E por último instalaram-no pensamentos novos. No inicio estranhou aqueles pensamentos ali, invadindo sua vida. Mas logo habituou-se tanto, que deixou de contesta-los. Era até mais cômodo não precisar pensar.
Adaptou-se tanto a essa nova condição, que aos poucos esquecia que era cego. Criava imagens concebidas pelos seus novos pensamentos e construía ali, sua realidade.
Um dos sentimentos novos que mais lhe assegurou a felicidade foi um que respectivamente chamou de conformismo. Ora, o que antes lhe afligia era a sensação de impotência aos fatos, agora tudo estava resolvido. Não se afligia mais, as coisas são como devem ser. Os mesmos homens que lhe perfuraram os olhos, (causando dor e sofrimento, foram também os responsáveis por lhe assegurar a paz de espírito) o ensinaram que tudo é premeditado. E assim deve ser, não se luta contra o destino.
Depois resolveram o deixar apenas em uma posição. Sentaram-no.
Ataram seus braços e suas pernas. Acostumou-se tanto a imobilidade que nem percebeu quando o soltaram, manteve-se sentado. Afinal já não possuía mais pensamentos, nem sentidos e era cego.
Sentado não corria o risco de chocar-se na parede ou aos móveis, e, ou ainda, a pessoas.
Depois, para que não se sentisse tão só, juntaram-no a mais 20 pessoas. Todos sentados em uma sala fechada, asquerosamente branca.
Falaram todos da incapacidade de ver, mas curiosamente nenhum deles lembrava mais como era enxergar. E por fim acabaram acreditando que talvez nunca tivessem visto na vida, talvez fosse apenas mais uma invenção que suas imaginações criaram, houve até quem duvidou de que fossem cegos. E alguns foram além, disseram sim, que eram capazes de pensar por conta própria. Que estes pensamentos ainda eram feitos por eles e não implantados pelos homens.
E foi aí que se instalou o caos. Já não sabiam mais quem eram, esqueceram seus nomes, confundiram suas histórias. Na verdade todos queriam fugir, mas era impossível se mover, então desejaram ser surdos nesse instante. E assim se fez, descobriram que eram capazes de fazer as coisas que imaginavam. E um silêncio abrasador reinou.
Não sabiam se isso havia sido um esquecimento dos homens, ou feito por eles.
Vinte e um homens em uma sala asquerosamente branca.
E duvidaram de que houvesse companhia, talvez estivessem mesmo sozinhos.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nanotecnoligações.

Nenhuma
Palavra
É forte
O suficiente.
O tiro que mata
O gole que embriaga
A reza que salva.

Desvirtuado ao ponto de se dizer invencível.
Os dias são todos úteis.

Cuspir, afogar, matar.

Eu não sei muito bem
O que pensar.

Queria deixar de ser
Cuspir, afogar, matar.

Olha pra mim,
Autocrítica destrutiva
Razão imposta
Morta.

Eu não sei muito bem.
Às vezes eu esqueço.

sábado, 23 de maio de 2009

The Sun Will Rise

Iron & Wine *


What if you were told that the sky would fall tomorrow night
Would you run and hide or go and play?
What if you were told that a boy named Cain was right outside
Would you run and hide or go and play?

A smile will bring a smile, a pail filled with rain
Your mothers milk will dry, the sun will rise again

What if you were told that your lover's hands were dead and cold
Would you run and hide or go and play?
And what if you were told the only point to life is to get old
Would you run and hide or go and play?

The sun will rise again and again and again

terça-feira, 19 de maio de 2009

Bullet - Life Bitter

Se não tivesse
Essa ironia na língua,
Nem essa aspereza
Mordaz em ouvir
Se não tivesse
Esse remoer constante
De coisas antigas,
Nem a acidez
Estomacal fria
Que sobe
Pela garganta,
Talvez,
Talvez tivesse
O hálito fresco.


domingo, 8 de março de 2009

Água Pura

Trucidam-se almas
E mantém-se o corpo intacto,
Livres de qualquer aspecto pútrido.
Dentro do invisível,
Do cárcere da íris.
Dores insuportáveis
Trafegam sem destino,
Em rios de lágrimas voláteis,
Em peças de teatro,
Em cores abstratas.
Buscam refúgio
Em outro mundo.
Rasgam-se memórias
E permanece intacto
O orgulho de existir.
Repreendem-se desejos
E sustenta-se sadia
A razão.
Cultivam-se sonhos impossíveis
E chama-se a frustração de azar.
Resgata-se a consciência
E provoca-se o acaso
Com palavras de esperança,
Ladainhas conformistas
De merecimento.
Enterram-se os mortos
E calam-se as perguntas.
Busca-se refúgio
Em outro mundo,
Livres de qualquer aspecto pútrido.

sábado, 7 de março de 2009

Hope

Às vezes era como um sopro de vida, uma agitação nos terrenos viscosos do peito, um bicho afoito querendo fugir, um desejo imenso de não ter reparação.
E então tudo ficava mais bonito, o olho rasgava imagens tristes e explorava cores novas. Era como um sopro de vida, uma luz que rebentava da escuridão, a alma leve e tudo mais ia pedindo passagem, andava com um porte mais elegante, com as rédeas da mágoa e desilusões soltas.
E eu fechava os olhos sem apreensão nenhuma, consciente da estrada inteira que havia acabado de criar, ia andar, e se caso o rumo deixasse de me agradar, fácil, era só mudar, transformar.
Às vezes era como um sopro de vida, agitação rasteira nos terrenos viscosos do peito.

Para Grandes Olhos Negros Conhecidos

Tive a impressão de que já o conhecia, aqueles grandes olhos negros não me eram estranhos. Talvez o tivesse visto em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. Talvez jamais o tenha visto, eram olhos comuns, um homem comum.
Ele me olhou como se também já tivesse me visto, em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. É provável também que nunca tenha me visto, tenho olhos comuns, uma mulher comum.
Talvez nos conhecêssemos de vidas passadas, mas não sei se acredito em vidas passadas.
Sei que atravessava o corredor e ele estava parado, por algum motivo qualquer o vi, não estava no meu campo de visão. O vi e foi como se já o tivesse visto.
Foi exatamente isso, o vi e foi como se já o tivesse visto e, no entanto talvez nunca mais o veja.
Eram grandes olhos negros dramáticos, cúmplices, todavia, de um grande segredo, algo alarmante, terrível, negro como seus olhos: conhecíamos-nos.
Quem sabe de alguma festa, bar, sonho, lugar algum, vidas passadas. Não importa, nos reconhecemos. Pessoas comuns.