quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Ele é Carioca

Libertina. O faria transgredir muitas regras morais. Talvez ele não estivesse jamais traindo seus ideais, apenas seria capaz de cometer atrocidades se isso deixasse meu ego inflamado, se servisse como prova da imortalidade de seu amor por mim. Escreveria cartas de amor, desenharia nas nuvens, cortaria o fel da realidade com a doçura de sua língua, inundaria o deserto, estenderia os segundos, roubaria de deus seu veneno mortal, esculpiria o abstrato.
No delírio da minha ambição, saciaria minha falta de grandes conquistas, render-me-ia conquistas, incalculáveis vitórias, dominaria nações, desestabilizaria o convencional, criaria religiões.
Ah! Libertina, de ópios e guerras e sangue nobre. Ah! Libertina, de possessividades e contradições. Liberta do rigor dos sinais, liberta da escravidão que sugeres tu as palavras. Desprende a alma da carne, domina o espelho cruel que te reflete, morde a mediocridade da rotina. Tua voz clama por um amor de verdade, por laços que transcendem, por ruas desertas.
Ele tem olhos de fogo, Copacabana me ama, Noel Rosa me ama, Tom Jobim me ama. Ele tem olhos de mar, profundidade verde onde naufrago meu barco de quimeras tristes, meus monstros guardadores de tesouros.
Ele me ama, Cristo redentor em chamas.



*Seu sorriso é um paraíso.
;)

(Cortina de Ilusões..)

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