sábado, 7 de março de 2009

Para Grandes Olhos Negros Conhecidos

Tive a impressão de que já o conhecia, aqueles grandes olhos negros não me eram estranhos. Talvez o tivesse visto em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. Talvez jamais o tenha visto, eram olhos comuns, um homem comum.
Ele me olhou como se também já tivesse me visto, em alguma festa, num bar, quem sabe num sonho ou talvez em lugar algum. É provável também que nunca tenha me visto, tenho olhos comuns, uma mulher comum.
Talvez nos conhecêssemos de vidas passadas, mas não sei se acredito em vidas passadas.
Sei que atravessava o corredor e ele estava parado, por algum motivo qualquer o vi, não estava no meu campo de visão. O vi e foi como se já o tivesse visto.
Foi exatamente isso, o vi e foi como se já o tivesse visto e, no entanto talvez nunca mais o veja.
Eram grandes olhos negros dramáticos, cúmplices, todavia, de um grande segredo, algo alarmante, terrível, negro como seus olhos: conhecíamos-nos.
Quem sabe de alguma festa, bar, sonho, lugar algum, vidas passadas. Não importa, nos reconhecemos. Pessoas comuns.

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