sábado, 28 de março de 2009

Sobre Vitoriosos

Aí você fica se perguntando sobre a vida. Lê alguns comentários de jovens escritores questionando qual a resposta certa para “Por que você escreve?” e você pensa “por que escrevo?” e mais ainda, nota que há tempos não escreve nada que você julgue descente e se pergunta por que isso.
Será falta de vontade, de perseverança, de trabalhar sobre as idéias ou será que você sem saber e mesmo sem acreditar perdeu a inspiração?
E resolve tentar escrever algo, coloca uma musica calma dos Beatles pra tocar e se lembra dos fãs árduos de Beatles e todos os fanáticos em algo e declara-se fanática também e sabe que essa visão é um tanto cega, mas não pode evitar. E outros pensamentos lhe atravessam, se cruzam se batem se distorcem e parece que tudo flutua ali dentro, e você sente uma necessidade de organizar isso, de saber racionalizar os fatos e perde totalmente o fio da meada.
De fato, porque comecei a escrever mesmo?
Bem, não importa, é o fluxo de idéias que me deixa confusa. Outra música boa, os fanáticos de certa forma têm razão.
Obstinados. Lembro-me dessa palavra e lembro que a achei extremamente forte no contexto da história, ele me disse que seus olhos estavam obstinados e eu disse que eram olhos vitoriosos. E onde estará ele agora?
Possessividade, ciúme e egoísmo, não posso evitar. É como escrever, não posso evitar mesmo que o resultado seja frustrante. As idéias se confundem, há uma dificuldade de racionalizar porque os sentimentos sempre chegam adiantados.
E você continua parado olhando pro monitor e pensando “a quem ráios isso interessa?”. A resposta é a você mesmo e mais ninguém. Sim, interessa só a mim.
E volto a ler colunas em sites quaisquer, meu telefone toca. É preferível não atender, você sabe que é errado, mas você tem livre arbítrio e decidi o deixar tocando e continua pensando em escrever e seguir a linhas tortas rumo a um final que até então é desconhecido. Como a vida.
E você não viveu o suficiente, sabe que tem muita coisa escondida pelas cortinas e não entende o motivo de certas cerimônias. E segue abrindo seus e-mails e se perguntando da utilidade das novas tecnologias e mídias e as idéias seguem livres, mesmo que sem razão alguma. Talvez eu não precise tanto da verdade.
Por que você não escreve algum conto fantástico? À lá Ricardo de Azevedo ou algum realismo fantástico como o García Márquez? Por que você se sente assim?
E sem querer você se lembra de outros tipos de fanáticos, porque essa palavra não deixa de assemelhar-se a fantástico, e não há dúvidas, fanáticos são chatos. Muito chatos.
E pensa nas notícias de amanhã, não sabe exatamente porque, mas sabe que as noticias de amanhã já estão prontas.
Perde a paciência e fecha o site de colunas, você não precisa deles. Você os acha vendidos demais ou então rasos, mas você nem sabe o que é ser profundo e você seria tão vendido quanto eles, a única diferença é que ninguém lhe ofereceu a quantidade certa. E pensa na vida novamente, mas não pensa em nada construtivo. Tem um lado seu que é totalmente suicida, mas você não se importa. Tem preguiça e esse conformismo de pensamento lhe apetece.
Obstinado. Volta a lembrar dele. E percebe que talvez sempre pense no mesmo.
E volta a pensar que há tempos não escreve nada descente. Poderia transcrever a conversa que teve com ele, mas seria uma cópia e eles não entenderiam o pulsar do sangue, afinal, não entendem nem o meu fluxo de idéias e nem há por que entendê-las.
E acaba ouvindo Johnny Cash e com vontade de parar de escrever, tem coisas que fogem a ditadura das palavras.
Outras se encaixam perfeitamente, obstinados.

3 comentários:

bruno nobru disse...

estou ainda lendo o texto, tambem me pergunto por que escrevo, é instigante se instigar um pouco mais, o que pode nos aproximar do que queremos ver que no dia-a-dia talvez não vemos.. muito bom!

bruno nobru disse...

terminei de ler, mas vou ler mais vezes, achei ótimo esse texto, me coloca questionamentos de coisas que geralmente me questionam e por vezes se perdem no ar, e me coloca questionamentos que poucas vezes me recordo, coisas tão vivas e fortes que nossa linguagem e cultura as excluem como impróprias e nos condicionando a atender o telefone quando queremos seguir o fluxo dos nossos sentimentos que estao alem de nossa razao.. tudo o que esta escrito faz muito sentido, quero ler mais, aos poucos, com calma..

Catherine Castanho disse...

Sobre, "por que escrever?" vejo em mim quase uma impossibilidade de responder, é como sintetizei "não posso evitar mesmo que o resultado seja frustrante". Mas, ao mesmo tempo, posso passar semanas sem escrever nem ao menos um bilhete.

Da minha parte, vejo que falta muita sensibilidade no olhar e sentir.
É mecânico, viciado.
Se tivessemos menos medo esmiuçar nosso interior, talvez chegassemos mais perto do que somos, por instanste.
Algo como plenitude.
Não que eu deseje cair em ignorância, apenas apreciar o que de fato é ser.