quinta-feira, 30 de julho de 2009

O Suplício

O melhor era ter certeza de que não havia mais ninguém na repartição, ter certeza de que era o único que fazia hora-extra, analisando pilhas e pilhas de papéis que na verdade não serviam pra nada. Mas sempre fora o único durante anos a ficar ali sozinho até as 2 da madrugada com aqueles malditos papéis que na verdade não serviam pra nada e o tic-tac repulsivo do relógio azul que puseram na parede a sua frente.
Como se analisar papéis inúteis já não fosse o suficiente, instalaram aquele escravizador de humanos bem a sua frente, quase como uma provocação.
Tic-tac. Tic-tac. Tic-tac. Ressoando profundo em sua alma.

Levanta João, quebra esse relógio, não tem ninguém na repartição.

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